Revista Estilo BB – As donas da marcenaria

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A Lumberjills é um projeto que quebra paradigmas e mostra que as mulheres podem, sim, trabalhar com o que quiserem

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Lenhador, marceneiro, tapeceiro. Profissões que, por muitos anos, foram dominadas apenas por homens, agora vêm ganhando mais e mais adesão das mulheres após um longo processo de conscientização.

Um exemplo disso são as sócias Fernanda Sanino e Letícia Piagentini, que em 2014 resolveram abrir a Lumberjills, uma marcenaria e tapeçaria, na qual a madeira é cortada, perfurada, lapidada e vendida por mulheres. O projeto dessas duas mulheres ambiciosas é bem simples: mostrar que ser uma mulher bem-sucedida é uma questão de liberdade e que, desse modo, não vai ser um “trabalho de homem” que irá impedi-las.

Mas para isso é preciso coragem. As duas amigas abandonaram o emprego e a estabilidade de uma grande empresa multinacional para se sentirem mais felizes em uma oficina empoeirada e que transborda criatividade. Apesar de parecerem áreas distantes, Letícia diz que a formação acadêmica e a experiência profissional que tinham foram muito importantes nessa nova empreitada.

“Nossa formação nos ajuda no atendimento ao cliente. Entendemos que é primordial o encantamento durante o processo de vendas e também no pós-venda. Já nossa experiência corporativa de trabalho nos ajuda bastante, pois nos norteia no cumprimento de prazos, respeito e trato com o cliente, além de primar sempre pelo melhor resultado”, conta.

O nome Lumberjills também não foi escolhido por acaso. O termo é o feminino de “Lumberjack”, que significa “lenhador”. Na Inglaterra, existiam muitas lenhadoras, e as sócias Fernanda e Letícia estão trazendo de volta essa cultura. “Acreditamos que este projeto de marcenaria e tapeçaria feminina mostra por meio da arte e de muita criatividade que lugar de mulher é onde elas querem estar”, conta Letícia.

Para Fernanda, já é notável o crescimento de mulheres atuando no mercado de marcenaria. “Antigamente quase não víamos mulheres trabalhando nessa área. Quando buscávamos um serviço de marceneiro, era inimaginável ser atendido por uma mulher. Em nosso primeiro curso, éramos as únicas mulheres da sala. No último que fizemos, ano passado, a maioria da classe de 30 alunos era mulher”, conta.

“Enfrentamos diariamente algumas barreiras, mas se engana quem pensa nos clientes. As dificuldades se tornam reais nos profissionais da área e até em fornecedores. ‘Mas vocês que são marceneiras? Quem faz o trabalho pesado?’, perguntam. E  sempre respondemos com humor quando nos questionam”, completa Letícia.

Para as duas, o preconceito existe, mas também torna o trabalho da Lumberjills muito mais inesperado. “O preconceito existe no desconhecido e no novo. Vemos as barreiras das ‘coisas de homem’ mais como uma oportunidade de trazer um diferencial”, conta Letícia.

E Fernanda completa: “Estamos ganhando espaço nesse mercado, estamos sendo muito bem recebidas pelos nossos clientes, estamos trazendo outro olhar para o negócio, que exige cada vez mais peças criativas e diferenciadas”.

As sócias ainda contaram quais são seus projetos preferidos. “A ‘Ararinha era uma vez’ é o nosso xodó. Ela é um cabideiro para fantasias e foi feita em madeira natural pinus e MDF. Também gostamos da ‘Cabeceira em courino’. Ficou superelegante as placas de courino cinza no quarto do cliente. Usamos uma estrutura em compensado na totalidade da parede e as placas com revestimento de espuma e courino cinza”, contam.

E, por último, a outra criação queridinha das sócias é o “Quadro Rock & Roll”, feito para guardar a guitarra e decorar a parede do cliente. Elas ainda tiveram o cuidado de fazer uma pirografia manual da música preferida do cliente ao fundo do quadro, deixando o produto muito mais intimista e único.

Se para elas uma mulher bem-sucedida vai além do que a sociedade define como sucesso, então as garotas do Lumberjills estão mostrando que “lugar de mulher é onde ela quiser”, e se esse lugar é uma marcenaria, isso não é nenhum problema.

Por Verônica Batista para Revista Estilo BB
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